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Falta de soldadores faz empresa de Ipojuca buscar dekasseguis no Japão

Posted in Volta ao Brasil with tags on 26 de janeiro de 2011 by vistoconsular

Estaleiro faz campanha e anúncio em jornais para contratar 1.200 pessoas.
Oportunidades de emprego atraem executivos de outros estados.

Manuela Thiba, descendente de japoneses nascida em Bragança Paulista (SP), pode dizer que foi bem sucedida durante os 6 anos em que morou e trabalhou na cidade de Toyohashi, na região central do Japão.

Lá, ela aprendeu a profissão de soldadora e alcançou todas as certificações possíveis para uma profissão, que, em média, paga salários mais altos do que a maioria dos serviços executados por brasileiros que moram naquele país.

Andréia e Manuela: valorizadas em época de mão-de-obra escassa.

“Eu enfrentava preconceito por ser mulher. Quando fui me habilitar para uma das certificações nem havia a opção de colocar ‘mulher’ na ficha de inscrição. Tiveram que fazer uma outra ficha para mim”, diz ela, que atuou na solda de navios e pontes durante 5 anos.

Mas foi uma proposta para trabalhar em Ipojuca, no litoral de Pernambuco, que despertou nela o desejo de voltar para o Brasil. “No Japão, cheguei no nível máximo que poderia chegar. Dali pra frente seria muito difícil por ser mulher e estrangeira”, conta Manuela.

Ipojuca foi um dos destaques na geração de vagas de emprego formais em 2010, segundo dados do Ministério do Trabalho. Em dezembro, a cidade criou 1.376 vagas com carteira assinada, o que a deixou em terceiro lugar no ranking. Em todo o ano passado, foram 16.413 vagas, levando Ipojuca ao 19º lugar na lista do ministério.

A vinda definitiva de Manuela ocorreu depois que ela participou de processo seletivo organizado no Japão Estaleiro Atlântico Sul (EAS), empresa instalada no Complexo Portuário Industrial de Suape e que tem como acionistas os grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

Manu, apelido pelo qual é chamada pelos colegas e que estampa o uniforme que ela usa em seu expediente diário nas soldas dos navios, foi 1 dos 135 soldadores dekasseguis que foram contratados desde o segundo semestre de 2009. No ano passado, a empresa enviou uma gerente de recursos humanos ao Japão com uma missão: voltar com soldadores especializados e experientes na bagagem.

A necessidade de contratar mão de obra experiente fora do Brasil se deve ao curto prazo para atender às encomendas de navios e do casco da plataforma P-55, da Petrobras. O João Cândido, primeiro navio fabricado pelo estaleiro, deve ser entregue em março para a Transpetro, braço logístico da Petrobras.

A escassez de profissionais qualificados é uma das principais dificuldades enfrentadas atualmente em Ipojuca e toda a região de Suape (veja mais no vídeo acima), que luta para transformar trabalhadores canavieiros em operários tecnicamente capacitados – consequência do crescimento acelerado da economia da região, que também resultou em falta de moradias.

 

Soldadores trabalham em navio em Suape: estaleiro faz campanha para encontrar qualificados.

O paulista Euclides Minoru Yamaoka, 41 anos e pai de três filhos, foi o primeiro dessa leva a chegar a Suape, em agosto de 2009, depois de 19 anos de imersão na cultura e na rotina profissional japonesas. O recomeço no Brasil, recorda, foi cheio de estranhamentos e adaptações. “O japonês é muito técnico, detalhista. Brasileiro é mais indisciplinado”, analisa.

O retorno foi motivado principalmente pela preocupação com o futuro, que o fez aceitar a proposta de emprego mesmo por um salário menor – em Ipojuca, o salário médio de um soldador é entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil.

“Lá eu ganhava a hora trabalhada. O que me preocupava era aposentadoria, apesar de estar pagando o INSS aqui. Quem vive com INSS? O que iria fazer quando não conseguisse mais trabalhar?” Hoje, diz que seus filhos e a esposa já se habituaram ao clima e idioma. “Eles gostam mais daqui do que de lá”, conta.

Campanha em outros estados
Para sanar as persistentes dificuldades de contratação em 2011, o estaleiro adotou nova estratégia. Desde 2 de janeiro, colocou anúncios em jornais de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Pará e Bahia. O objetivo, desta vez, é contratar 1.200 funcionários entre soldadores, montadores, engenheiros, projetistas e supervisores de produção. Atualmente, o EAS tem 4700 empregados.

Na tentativa de “roubar” empregados de outros centros para atuar em Suape, o estaleiro investe em benefícios e facilidades de transferência, como auxílio moradia, ajuda de custo para a mudança e chance de entrevista de emprego para familiares.

Trabalho e qualidade de vida
A oferta de trabalho abundante é chamariz também para profissionais especializados que ocupam cargos de gerência e chefia, como Paulo Ferreira, 56 anos, de São José do Rio Preto (SP). Ao longo da carreira ele já morou em grandes centros, mas optou pela região de Ipojuca em busca de mais qualidade de vida e, principalmente, porque queria morar perto da praia.

O trabalho, no entanto, pesa na decisão: ele é gerente comercial da argentina Impsa Winds, fabricante de geradores de energia eólica que investiu US$ 25 milhões em Suape em 2007.

“Aqui amanhece muito cedo e eu consigo ir à praia todos os dias”, comemora. “Pernambuco tem alguns problemas de infraestrutura e serviços, mas a comida é ótima”.

Em vez de morar em Recife, como fazem muitos dos executivos que vêm das grandes metrópoles para trabalhar em Suape, optou pela vida de balneário: mora em Enseada dos Corais, uma das faixas litorâneas de Cabo de Santo Agostinho, cidade vizinha de Ipojuca.

O contador Elder de Souza, 38 anos, saiu de Campinas há um ano para ser gerente financeiro da mesma empresa. Desde então mora em Recife, onde a esposa acaba de abrir um consultório odontológico, e diz que a atual rotina é mais agitada.

“Recife tem um ritmo mais intenso do que a maioria das cidades do interior de São Paulo. No acesso a Suape, por exemplo, eu perco mais tempo no trânsito do que perdia em Campinas”, diz Elder, que, no entanto, está satisfeito com a adaptação da família e as perspectivas de crescimento. “A região está crescendo muito. Há espaço para bons profissionais”.
Fonte: G1 (Ipojuca – PE) por Ligia Guimarães

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Estaleiro de Suape tem “invasão” de dekasseguis

Posted in Volta ao Brasil with tags on 24 de março de 2010 by vistoconsular

soldadores

Soldadores brasileiros que trabalhavam no Japão retornam ao Brasil, já empregados, atraídos pela ascensão na carreira trabalhando aqui no Brasil.
Grupo de decasséguis começam a fazer parte da rotina do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no complexo industrial de Suape, município de Ipojuca, com a contratação no mês passado de 82 decasséguis brasileiros – a maioria de ascendência japonesa e do Sul do País – que haviam migrado para o Japão em busca de oportunidades.
Experientes soldadores, eles retornam ao Brasil via Pernambuco, o que ainda provoca estranhamento por se tratar de um Estado sem tradição na indústria naval. “Nunca poderia imaginar isso”, comemora Mário Azevedo, 40 anos, pernambucano casado com uma filha de japoneses, que depois de nove anos no Japão teve a chance de retornar ao Recife, onde nasceu. “A saudade era muita”.
Além da volta às origens, os “japoneses” querem ascender na carreira, o que não lhes era permitido no Japão, aonde, além de estrangeiros, chegaram, em muitos dos casos, sem ter noção da língua japonesa. Por melhor que executassem seu trabalho, não eram enquadrados nos planos de cargos e salários das empresas. Além da experiência, trazem na bagagem valores como disciplina, humildade e ética, muita disposição para o trabalho e competitividade.
Flávio Date, 40 anos, 19 deles no Japão, foi reconhecido pelos colegas como “shokunin”, expressão que identifica quem consegue executar um serviço manual com perfeição. Entra no EAS como líder de grupo de solda, função de liderança que nunca conseguiria no estaleiro NKK, onde trabalhou nos últimos cinco anos. Por enquanto, como todos, está em processo de adaptação ao método e equipamento do EAS. Natural de Assaí, no Paraná, viveu em São José dos Campos desde criança, com os pais, e decidiu ir para o Japão depois que o Plano Collor confiscou suas economias.
Claudio Yushio Sato, 48 anos, natural de Marília (SP) e há 18 no Japão, é soldador há 14 anos. Sua experiência é com túneis, pontes e trens-bala – com grau de complexidade muito maior que a solda de navios. Simples, ele ensina o que aprendeu da cultura japonesa: “É mais importante a ética do que a técnica”. A ética é valor primordial, a técnica pode ser aprendida.
Manoela Barão, 30 anos, chegou ao Japão há seis anos. Curitibana, morou em Bragança Paulista (SP) desde pequena com a família. Enfrentou muito preconceito quando se dispôs a entrar no ramo da solda no Japão – mais bem remunerado. E conseguiu ser a primeira mulher no país a ser habilitada em solda em todas as categorias pela associação japonesa de soldadores (JIS/JEWS). Trabalhou em estaleiros em Ehime, Hiroshima e Okayama. “Sempre tive de me impor”, resume. Começa sua carreira no Atlântico Sul como líder de grupo de solda, cargo que, acredita, nunca conseguiria no Japão.
Neto de japoneses – como ela – o, marido, Paulo Bernardes, 27 anos, também soldador, é outro dos 82 contratados do EAS. Eles se conheceram no Japão. Estavam satisfeitos e não pensavam em voltar. Manoela mudou de idéia depois da morte do pai, ano passado. O marido, que a ajudou a aperfeiçoar os conhecimentos da solda, apoiou a iniciativa.
Márcia Mitiko Calisto, 28 anos, é de Suzano (SP) e há nove anos foi para o Japão, já casada com Carlos Antonio Calisto, 36. Durante cinco anos trabalharam como soldadores no estaleiro Imazo, em Ehime, mas sempre desejaram voltar. “Faremos tudo para crescer dentro da empresa e com a empresa”, diz Márcia.
Falta de mão de obra acelerou contratações
“Precisamos de 200 soldadores prontos. Busquem.” A ordem, segundo o diretor-administrativo e de Recursos Humanos, Gérson Peluci, foi dada pelo presidente do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), Angelo Bellelis, no fim de novembro do ano passado, diante do curto prazo para atender às encomendas da Transpetro e do casco da Platafomra P-55 da Petrobrás.
Sem mão de obra qualificada, o estaleiro se encarregou de formar, em seu Centro de Treinamento (CT) soldadores, montadores, eletricistas, pintores, encanadores navais e caldeireiros. Não foi suficiente. Era preciso gente experimentada, com urgência.
O primeiro dos 22 navios petroleiros contratados pela Transpetro (subsidiária da Petrobrás) dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) – um Suezmax com capacidade para transportar 1 milhão de barris – deve ser lançado ao mar no fim deste mês. No total, serão 10 navios Suezmax e 5 Aframax, na primeira etapa do Promef, e sete aliviadores – quatro Suezmax DP e três Aframax DP – na segunda etapa.
A idéia de recrutar mão de obra brasileira no Japão surgiu tão rápida quanto a sua execução. No dia 13 de dezembro, a coordenadora de Recursos Humanos, Márcia Marques, desembarcava na cidade de Toyohashi, um dos maiores pólos navais do Japão. Foi constatado que muitos brasileiros – com ou não ascendência japonesa – que migraram para aquele país estavam voltando, sobretudo por causa da crise econômica internacional.
A intenção do estaleiro já havia sido divulgada pela internet e durante dez dias ela entrevistou, ouviu, propôs, fez apresentação da empresa adicionada de informações sobre Pernambuco. Márcia volta ao Japão em abril. O objetivo é contratar, neste primeiro momento, 200 soldadores.
“No futuro, vamos ser lembrados como o princípio da colônia japonesa na região metropolitana do Recife”, acredita Gérson Peluci, convicto de que a ação irá produzir bons frutos, aliando a disciplina e produtividade dos estaleiros japoneses à criatividade brasileira.
O estaleiro representa hoje um investimento de R$ 1,6 bilhão. Emprega 3,7 mil funcionários, número que pode chegar até 4,5 mil no final do ano.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo